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TRIBUNA DO BRASIL – 5/2/2008

Crédito vai crescer no país


O ciclo de expansão do crédito imobiliário no Brasil deve seguir em ritmo acelerado este ano, apesar das preocupações sobre uma recessão nos Estados Unidos e risco de contaminação mundial. Nas projeções dos bancos, não há espaço para pessimismo. A expectativa "conservadora" para este ano é emprestar, apenas com recursos da poupança, cerca de R$ 23 bilhões para a tão sonhada compra ou construção da casa própria - um aumento de 26% em relação aos R$ 18,3 bilhões do ano passado. Com os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), linha de financiamento que só no fim do ano passado começou a ser operada também pelos bancos privados, esses valores devem aumentar ainda mais.

Uma das explicações para o elevado otimismo é a ainda baixa relação entre os financiamentos e o Produto Interno Bruto (PIB). Segundo dados do Banco Central (BC), o crédito imobiliário representa hoje apenas 1,7% do PIB. No Chile, esse número é de 15%; no México, de 11%; e, na Espanha, de 44%.

Junta-se a isso o fato de o Brasil ter um déficit habitacional estimado em 8 milhões de unidades, segundo o presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Luiz Antonio Nogueira de França. Segundo ele, com a expansão prevista para este ano, o crédito imobiliário deve atingir 2,3% do PIB e, no ano que vem, 3,6%. Essa relação só chegaria a 10% do PIB em 2015 - ou seja, o espaço para crescimento ainda é enorme, garantem os especialistas.

"O crédito imobiliário no Brasil está no começo. No mundo, a modalidade representa 70% do volume de crédito para pessoa física. Por aqui, não passa de 20%", diz o superintendente de crédito imobiliário do Citibank, João Rigobello. Segundo ele, para atingir índices internacionais, o País terá de começar a destinar cerca de R$ 30 bilhões por ano para o setor.

De acordo com os bancos, a faixa de financiamento que crescerá mais a partir deste ano é aquela voltada para a classe média, entre R$ 100 mil e R$ 120 mil. "Esse valor médio vai reduzir a cada ano. Antes, a alta taxa de juros e os prazos reduzidos excluíam boa parte da população, pois a parcela não cabia no bolso dos consumidores", explica o vice-presidente do Bradesco, Norberto Barbedo.

O Bradesco, que em 2007 superou a casa de R$ 4 bilhões financiados, destinou R$ 5,3 bilhões para o crédito imobiliário este ano. O valor, diz Barbedo, inclui tanto o financiamento para empresários do setor como para o mutuário. "Continuamos bastante otimistas. As mudanças jurídicas promovidas nos últimos anos e a estabilidade econômica deram novo ânimo para o setor."
Os consumidores hoje conseguem empréstimos com prazos de até 30 anos. Mas a média não tem superado os 20 anos, diz Nogueira, da Abecip, também diretor de crédito imobiliário do Itaú. O banco pretende financiar este ano cerca de R$ 3,5 bilhões em imóveis.

(Tribuna do Brasil, Seção Home, 5/2/2008).

 

A GAZETA – 5/2/2008

Instituições privadas retomam a oferta


São Paulo/AE

O maior banco privado do país, que em 2007 superou a casa de R$ 4 bilhões financiados, destinou R$ 5,3 bilhões para o crédito imobiliário este ano. O valor, diz o vice-presidente do Bradesco, Norberto Barbedo, inclui tanto o financiamento para empresários do setor como para o mutuário. "Continuamos bastante otimistas. As mudanças jurídicas promovidas nos últimos anos e a estabilidade econômica deram novo ânimo para o setor".

Hoje, os consumidores conseguem empréstimos com prazos de até 30 anos no mercado nacional. Mas a média não tem superado os 20 anos, diz Nogueira, da Abecip, também diretor de crédito imobiliário do Itaú. O banco pretende financiar este ano cerca de R$ 3,5 bilhões em imóveis. No ano passado, a instituição emprestou R$ 1 bilhão para o mutuário e R$ 1,3 bilhão para empresários, em contratos assinados, mas ainda não desembolsados. "Em seis meses, esse dinheiro começa a entrar na economia", destaca ele, que não acredita num possível impacto dos problemas americanos no setor imobiliário brasileiro. "Nossa principal fonte de recursos está atrelada à caderneta de poupança. Nada indica que ela vai escassear".

Outra instituição que aposta pesado no mercado imobiliário brasileiro é o americano Citibank, que sofreu perdas bilionárias nos últimos trimestres por causa das hipotecas de alto risco nos Estados Unidos. Rigobello diz que, no ano passado, o banco superou em 100% a meta estabelecida para o mercado interno. E, para 2008, a expectativa é manter esse ritmo.

(A Gazeta/MT, Seção Economia, 5/2/2008).

 

VEJA ONLINE – 4/2/2008

O crédito imobiliário deve crescer em 2008 no país


Apesar da crise internacional nos mercados e do temor de uma recessão nos Estados Unidos, o setor de crédito imobiliário deverá crescer neste ano no Brasil. Nos EUA, esse setor é a origem da turbulência na economia. Para os brasileiros, porém, a oferta de crédito para compra de imóveis não deverá ser afetada -- haverá mais recursos à disposição para os financiamentos.

De acordo com reportagem publicada na edição desta segunda-feira do jornal O Estado de S. Paulo, a expectativa é de crescimento de cerca de 26% só nos empréstimos com recursos da poupança. No ano passado, os financiamentos desse tipo somaram 18,3 bilhões de reais. Neste ano, a previsão é de oferta de cerca de 23 bilhões para a construção ou compra da casa própria.

O valor total deve ser ainda maior por causa dos recursos do FGTS, que no fim de 2007 passaram a ser disponibilizados também pelos bancos privados. Em entrevista ao Estado, o presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Luiz Antonio Nogueira de França, explica que há ampla margem para crescimento do crédito imobiliário.

Um dos motivos é a baixa relação entre os financiamentos e o PIB do país -- o crédito imobiliário equivale hoje a apenas 1,7% do PIB. No Chile, por exemplo, essa relação é de 15%. O presidente da Abecip afirma que a previsão para este ano é de crédito imobiliário chegando a 2,3% do PIB. Em 2009, pode chegar a 3,6%, resultado de uma oferta cada vez mais ampla de crédito.

(Veja Online, Seção Notícias, 4/2/2008).

 

REPÓRTER DIÁRIO – 4/2/2008

Crédito imobiliário crescerá 30% na média


De acordo com dados da Abecip (Associação Brasileira das Empresas de Crédito e Poupança), a liberação de crédito para a compra de casas atingirá neste ano R$ 25 bilhões, o que significa um avanço de 30% em relação a 2007.

Entretanto, o movimento de alta não será o mesmo em todos os bancos, podendo atingir, em determinadas situações, o patamar dos 50%. Representando um terço do mercado, a Caixa Econômica Federal pretende liberar, dentro do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) R$ 8 bilhões, um acréscimo de 25% sobre o ano anterior. Outros R$ 7,3 bilhões virão de recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

(Repórter Diário/SP, Seção Capa, 4/2/2008).

 

FOLHA DE SÃO PAULO – 3/2/2008

Bancos fortes ajudam país, diz Bradesco


Para Márcio Cypriano, economia brasileira se beneficia do fato de o sistema financeiro local não ter sido atingido pela crise

Presidente do Bradesco diz não acreditar em alta da inadimplência no país e cita indicadores positivos, como renda e emprego

Guilherme Barros
Colunista da Folha

O presidente do Bradesco, Márcio Cypriano, 63, acha que o Brasil tem condições de enfrentar a crise financeira internacional sem sofrer muitos arranhões. Ele aponta como uma das razões o fato de o país ter um sistema financeiro forte, que não foi atingido pelo terremoto dos mercados globais.

Há poucos dias, enquanto os grandes bancos americanos e europeus exibiam perdas gigantescas em seus balanços, o Bradesco registrou um lucro de R$ 8 bilhões no ano passado.

Para Cypriano, neste momento de crise global, os números aproximam o Bradesco dos grandes bancos de fora, o que faz com que uma eventual hipótese de os bancos brasileiros irem às compras de instituições de fora do país não seja um sonho de uma noite de verão. "Os bancos brasileiros já podem, eventualmente, pensar em vôos mais altos", diz. A seguir, trechos da entrevista:

FOLHA -  O Brasil vai sofrer com a crise?

CYPRIANO
- O Brasil atravessou toda essa fase de turbulência e se saiu muito bem. A nossa economia está mais preparada. Há cinco anos, quando o crescimento da economia era bem menor, quando tínhamos uma situação de descontrole da inflação, teríamos sentido muito mais. O dólar já teria disparado, a Bolsa declinado, e nada disso aconteceu agora. A estabilização da moeda foi fundamental para o fortalecimento do sistema financeiro.

FOLHA -  O sr. teme alguma mudança na política econômica?

CYPRIANO
- Não, o governo vai continuar perseguindo a estabilidade. A própria ata do Copom sinaliza uma preocupação com a inflação. A decisão do BC de manter a taxa de juros foi exatamente prudente para que a gente tenha a economia sob controle. A meta de inflação [de 4,5% ao ano] vai prosseguir. O câmbio flutuante é outro ponto extremamente importante que ajuda a fortalecer a economia. O que o governo tem que fazer é buscar mais austeridade fiscal.

FOLHA -  Por que os bancos brasileiros conseguiram ficar de fora da crise internacional?

CYPRIANO
- Nós não tivemos aqui o ingresso de nenhum tipo de crédito "subprime" (empréstimos de alto risco). As perdas vão ficar, realmente, concentradas nos principais bancos do mundo.

FOLHA -  Mas por que o Brasil não concedeu esse tipo de crédito?

CYPRIANO
- Os "spreads" (taxas de risco) brasileiros são muito mais altos e, por isso, esses papéis não chegaram a entrar no Brasil, o que foi muito sadio.

FOLHA  - A que o sr. atribui a origem dessa crise?

CYPRIANO
- Tudo isso aconteceu lá fora por excesso de liquidez. A liquidez mundial era muito grande e os bancos precisavam aplicar os seus disponíveis para rentabilizar a sua captação. Para o Brasil, gerou uma lição para o futuro. Serve para a gente como exemplo. Mas o importante é que o sistema financeiro do país não foi contaminado por essa crise. A nossa economia continua extremamente forte. Um sistema financeiro forte significa um país forte. Banco sólido significa país forte. Banco fraco significa país em dificuldade. Veja só o que aconteceu com a Argentina. Hoje só tem um ou dois bancos na Argentina. O sistema financeiro argentino se enfraqueceu e o país se enfraqueceu.

FOLHA -  O sr. acha que o Banco Central sobe os juros neste ano?

CYPRIANO
- Depende do que acontecer daqui para a frente. Se essa crise for de prazo mais curto, se não tiver longa duração e não for tão profunda, acho que o BC não subirá os juros. Agora, se a gente perceber que a situação lá fora começa a piorar, a preocupação começará a aumentar muito e aí eu não descartaria uma elevação dos juros. Não estou dizendo que isso vai acontecer. De qualquer forma, eu não descartaria, eventualmente, uma pequena alta dos juros. Qual é a principal preocupação do governo? A estabilização da economia.

FOLHA -  Como o sr. viu a decisão do Banco Central de passar a recolher o compulsório sobre as empresas de arrendamento mercantil [leasing]?

CYPRIANO
- Dado o princípio da importância do controle inflacionário, o BC utilizou a sua prerrogativa de utilizar um instrumento clássico de política monetária que é o compulsório. A conseqüência é um pouco de aperto da liquidez, o que se refletirá no custo das captações do sistema financeiro. É mais uma cunha fiscal que pode se refletir no custo do tomador final. Por outro lado, reduz a probabilidade de o BC elevar a taxa Selic com o objetivo de evitar uma alta da inflação.

FOLHA -  O lucro dos bancos no Brasil não é muito alto?

CYPRIANO
- Mais importante do que o lucro é analisar a rentabilidade sobre o patrimônio. Nosso patrimônio líquido (do Bradesco) está em R$ 30 bilhões e apresentamos um resultado de R$ 8 bilhões no ano passado. Estamos falando de 29%, 30% de retorno sobre o patrimônio. As indústrias estão ganhando muito mais em rentabilidade. As empresas de vários setores, como siderurgia, cosmético, petróleo, todas têm tido retornos sobre o patrimônio maiores que os dos bancos. O que o sistema financeiro conseguiu no Brasil foi um índice de eficiência operacional melhor.

FOLHA -  Os bancos no Brasil preferem hoje conceder mais crédito que se financiar com títulos públicos?

CYPRIANO
- A situação está, sim, se invertendo, mas é preciso ver que antes não existia demanda por crédito. Ou melhor, havia uma demanda reprimida de consumo. As famílias queriam consumir, mas não tinham condições de recorrer ao crédito. Sem consumo não há crédito. Os bancos tinham então que aplicar em título público. Não havia alternativa. Com a estabilização da economia, melhorou a renda da população e o nível do emprego. As pessoas estão consumindo mais.

FOLHA -  E, se a crise apertar, não há o risco de subir a inadimplência?

CYPRIANO
- Não, não no crédito imobiliário.

FOLHA  - E no crédito em geral?

CYPRIANO
- Todos os indicadores são positivos, tanto os da renda e do emprego como os do poder de compra das pessoas. Pode haver um problema qualquer, mas, como a economia está muito bem, acho difícil.

FOLHA -  O sr. é a favor de mais regulação do sistema financeiro?

CYPRIANO
- Já temos um controle muito rígido no Brasil e acho que não teria espaço para acontecer o que ocorreu lá fora. Agora, acho que regulação sempre é importante. Qualquer tipo de medida que aprimore os controles é importante.

FOLHA -Como o sr. analisa os aumentos do IOF e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido)?

CYPRIANO
- Acho isso um negócio totalmente inusitado. Eleva-se a contribuição social de um determinado segmento porque ele é eficiente? É um absurdo. Está se depreciando a qualidade de gestão. Quem não é eficiente não tem penalidade, só quem é eficiente que paga.

FOLHA -  O sr. diria que há certa hostilidade do governo com os bancos?

CYPRIANO
- Não, não diria que há hostilidade. No mundo inteiro, o lucro dos bancos é contestado. O mundo inteiro fala que os bancos ganham muito dinheiro. O problema dos bancos é que é uma atividade com muitos riscos, são muitas operações de risco.

FOLHA -  A crise internacional pode ser uma oportunidade para os bancos brasileiros irem às compras?

CYPRIANO
- Se a gente imaginar que o Bradesco, há seis, sete ou oito anos, valia US$ 8 bilhões e hoje vale US$ 60 bilhões, nota-se que a coisa mudou muito. Os bancos brasileiros já podem, eventualmente, pensar em vôos mais altos. Não temos nada em vista. Nossa prioridade é o Brasil. Nós estamos apostando aqui num crescimento ainda muito forte, na medida em que a economia cresça como tem avançado. Não pensamos em nada lá fora, mas é uma hipótese que, daqui para a frente, a gente não pode descartar.

FOLHA -Daria para sonhar com a compra de um Citibank?

CYPRIANO
- Não, não, eu não diria isso, mas, sei lá, é questão de aparecer uma oportunidade e a gente olhar. Outro dia eu falei e repito: o Bradesco hoje está muito mais para caçador do que para caça.

(Folha de São Paulo/SP, Seção Dinheiro, 3/2/2008).