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Artigos II Seminário O Novo
Código Civil e o Registro de Imóveis A
SEGURANÇA JURÍDICA E O NCC O advento de um novo Código Civil sempre traz consigo, por
mais otimistas sejam as intenções de seus elaboradores, uma dúvida
social: este é um Código para um País real? Nessa dúvida
embutem-se várias indagações, entre elas algumas que dizem respeito não
só à idéia de ‘justo’, de ‘coisa justa’ —considerada à luz
das circunstâncias históricas e contemporâneas do País a que se
aplique—, mas também à noção de ‘efetividade’ e de
‘estabilidade’ dos direitos: uma justiça
instável é tão pouco desejada quanto uma segurança
injusta. Faz muito que, no Brasil, se tem por manifesta a tragédia
de seu Direito político, fulgurante com a vertiginosa sucessão de
suas Constituições desde o golpe militar que instaurou a República em
1889. Oliveira Vianna bem
advertiu o marginalismo das elites e o idealismo utópico de sua ação
jurídico-política, designadamente no plano legislativo. Ao revés, nosso
Direito privado, costumeiro, cifrando-se ao realismo —ainda que com a
marca de um criticável positivismo sociológico– que animava o espírito
do grande Clovis Beviláqua, firmou-se historicamente como obra
perseverante e bem pôde ultrapassar os lindes do século XX, como,
adivinha-se, poderia sobreviver, em suas normas fundamentais, muito à
vontade, neste início de nova centúria. Quis-se, entretanto, apostar na mudança. Porque essa
característica —o gosto da novidade— é muito própria dos nossos
tempos. Já a reconhecera, porém, Werner
Sombart, na psicologia do burguês clássico, cuja alma pôde assim
comparar à alma infantil. A tragédia política do Brasil está,
sobretudo, em lançar-se a experimentos sem raiz, a novidades estranhas, a
aventuras fantasiosas, a idealismos utópicos —na dicção de Oliveira
Vianna— ou, em palavras de Joaquim
Nabuco, a uma política silogística, abstrata, para a qual não
conta a história nem a realidade circundante. A tragédia política do
Brasil está em não fazer a mais importante das experiências, a mais
relevante das aventuras: a experiência
da tradição. |
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