08/06/2007 - n. 2980EDUCAÇÃO CONTINUADA
DE CARTÓRIOSXII Seminário de Direito Notarial e Registral de São Paulo, na
capital, destaca a gestão do conhecimentoConhecer para entender e
aplicar no dia-a-dia. Esse foi o principal foco do
XII Seminário de Direito
Notarial e Registral de São Paulo, realizado no dia 19 de maio, no Hotel Hilton
São Paulo, para cerca de cem notários e registradores da capital paulistana.
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| Organizadores do Educartório |
A iniciativa
apoiada pela Corregedoria-Geral da Justiça do Estado de São Paulo é uma realização
do Programa Educartório, cujos organizadores são: o
Irib,
Instituto de Registro Imobiliário do Brasil, o Colégio Notarial do Brasil, seção
de São Paulo,
CNB-SP, e a
Arisp, Associação dos Registradores Imobiliários de São Paulo.
A décima
segunda edição do evento teve como palestrantes o doutor Vicente de Abreu Amadei,
juiz auxiliar da Corregedoria Geral da Justiça do Estado de São Paulo; a doutora
Patrícia André de Camargo Ferraz, registradora imobiliária de Diadema, SP, e diretora
de assuntos legislativos, regularização fundiária e urbanismo do Irib; e Cláudio
Bernardes, reitor da Universidade Secovi, Sindicato da Habitação.
Legislação
urbana deve respeitar os princípios do registro imobiliárioO juiz
Vicente de Abreu Amadei abriu o seminário e chamou a atenção para os desafios
urbanísticos da metrópole ao desenvolver o tema
Urbanismo, registro imobiliário
e cadastro. Segundo ele, São Paulo tem complexidades urbanas profundas que
reclamam uma resposta do Direito. “As respostas que o Direito tem dado às dificuldades
da cidade de São Paulo são difusas, a legislação é difusa e ampla e os três níveis
de poder – União, estados e municípios – acabam interferindo”, comentou.
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| Vicente de Abreu Amadei |
O objetivo da palestra
foi mostrar como esses desafios se manifestam no Direito e se tornam complexos
e quais as formas de enfrentar esse tipo de legislação difusa. “A primeira resposta
da aplicação prática disso é trabalhar mais com princípios. Outra seria resguardar
uma hegemonia institucional. As leis urbanistas não podem ser de tal maneira que
esgotem o conteúdo da propriedade, portanto, é preciso manter uma hegemonia institucional.
Da mesma forma, a legislação urbana tem de fazer regularização fundiária, mas
respeitando os princípios do registro imobiliário”, explicou.
O juiz procurou
mostrar para os registradores e notários de São Paulo, como o urbanismo interfere
nas relações jurídicas e como se desdobra em outras áreas do Direito, especialmente
do Direito registral. “O Educartório de hoje busca tocar o coração da cidade e
aprofundar as questões urbanísticas que repercutem no registro de imóveis.”
Regularização
fundiária: propulsor do desenvolvimento de um país Com exemplos práticos,
Patrícia Ferraz alertou os participantes do
XII Seminário de Direito Notarial
e Registral de São Paulo sobre a importância da regularização fundiária para
a economia do país e a inclusão social. “É a partir da regularização dos imóveis
que muitos brasileiros poderão sair da linha da pobreza”, enfatizou.
Munida
de estatísticas econômicas, apresentou números alarmantes em sua palestra
Regularização fundiária e usucapião. “Dois terços das áreas urbanas e rurais
do Brasil são irregulares”, afirmou, “o que significa que o número de imóveis
nessas condições chega a 12 milhões”.
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| Patrícia Ferraz |
Patrícia Ferraz explicou
que ao ter seu imóvel regularizado, a pessoa tem condições de obter empréstimos
bancários para mudar de casa ou investir num pequeno negócio e melhorar seu padrão
de vida. “A regularização fundiária está na pauta do dia porque é um instrumento
valioso como propulsor do desenvolvimento de um país, uma vez que colabora para
a capacitação econômica dos cidadãos. Há uma grande demanda do cidadão brasileiro
que ainda não tem o seu título registrado – e que, portanto, não se vê na qualidade
de proprietário do imóvel onde reside. Além disso, é importante que o Estado proporcione
esse instrumento para a população, como garantia de acesso à moradia e como meio
de inclusão socioeconômica do cidadão de baixa renda. E ainda, especialmente,
como instrumento de fomento ao desenvolvimento econômico sustentado do país. Isso
é dar oportunidade para minimizar a pobreza”.
Para ela, essa edição do
Educartório foi muito interessante porque partiu do princípio de que notários,
registradores e seus funcionários precisam ter conhecimento técnico e científico
cada vez mais aprimorado a respeito dos temas que dizem respeito às suas atividades,
ou que repercutem na rotina diária dos cartórios.
Plano diretor de São
Paulo e atividade notarial e registralEstreando como palestrante do
Educartório, o engenheiro civil Cláudio Bernardes fez uma rica exposição sobre
o surgimento do urbanismo na capital de São Paulo e o surgimento das necessidades
que resultaram no plano diretor e no Estatuto da Cidade. Traçou também um paralelo
sobre a importância da participação de notários e registradores na elaboração
das diretrizes da legislação sobre o planejamento de crescimento da cidade.
Como representante de construtoras e imobiliárias, Cláudio Bernardes
destacou a importância da usucapião coletiva, que também é objeto de estudos do
Irib. “A idéia de aproximar os cartórios da questão urbanística é fundamental”,
concluiu.
Caleidoscópio: