03/05/2007 - n. 2931EDUCAÇÃO CONTINUADA
DE CARTÓRIOSXI Seminário de Direito Notarial e Registral de São Paulo, em Ribeirão
Preto: o futuro é agoraO evento foi transmitido pela Web-TV, da
Universidade Corporativa do Registro – Uniresgistral
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| Helvécio Castello, desembargador Ricardo Dip, Ubiratan Pereira Guimarães
e juiz Vicente de Abreu Amadei |
O XI Seminário de Direito
Notarial e Registral de São Paulo, realizado no hotel Stream Palace, em Ribeirão
Preto, no dia 21 de abril, foi uma verdadeira aula sobre a urgência de se pensar
o futuro no presente. As responsabilidades dos cartórios, as possibilidades de
novos negócios e a necessidade de modernização foram alguns dos temas que despertaram
o interesse dos participantes.
Apesar da seriedade do conteúdo das palestras,
o clima foi de total descontração, a começar pela exposição de abertura do juiz
auxiliar da Corregedoria Geral da Justiça do Estado de São Paulo,
Vicente de
Abreu Amadei, que traçou um paralelo entre a evolução de São Paulo e o atendimento
às necessidades da sociedade.
Ribeirão Preto foi prestigiado, também, pela
aula magna do desembargador
Ricardo Dip, do Tribunal de Justiça de São
Paulo, que analisou o
procedimento de dúvida no registro de imóveis.
A
mesa de trabalhos foi valorizada pela participação do presidente do Irib
Helvécio
Duia Castello e do vice-presidente do Colégio Notarial do Brasil, seção de
São Paulo,
Ubiratan Pereira Guimarães.
Os palestrantes foram: Mari
Lúcia Carraro, registradora em Ribeirão Preto, falou sobre
parcelamento do
solo urbano – questões polêmicas; Adriano Erbolato Melo, notário em Presidente
Prudente, expôs a situação do
imóvel rural; Márcio Pires de Mesquita, notário
em Indaiatuba, apresentou as possibilidades de negócios da
ata notarial;
Sérgio Jacomino, quinto registrador imobiliário da cidade de São Paulo e diretor
do Irib, mostrou a origem e a trajetória do
Ofício Eletrônico; Flauzilino
Araújo dos Santos, registrador imobiliário em São Paulo e presidente da
Arisp, e Manuel Matos, presidente da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico,
camara-e.net, encerraram o seminário com uma exposição sobre a
Central
Registral de Serviços Compartilhados.
Mais uma vez o evento foi realizado
no âmbito do programa de educação continuada de cartórios, Educartório, graças
à parceria entre o
Irib, Instituto de Registro Imobiliário do Brasil, o Colégio Notarial do Brasil,
seção de São Paulo,
CNB-SP, e a
Arisp, Associação dos Registradores Imobiliários de São Paulo, com apoio da
Corregedoria Geral da Justiça do Estado de São Paulo.
Desafios
atuais: tecnologia e segurança jurídicaNa abertura do XI Educartório, o juiz
Vicente de Abreu Amadei
resgatou o passado de São Paulo e apresentou a vida como era desde 1862, e a realidade
dos cartórios na época, até os atuais desafios enfrentados por notários e registradores.
Segundo
ele, a evolução tecnológica reduz a distância entre os locais e acelera o tempo,
o que faz com que a matéria jurídica fique um pouco retardada, sempre devendo
para o avanço tecnológico, social, e da vida em geral, que passa a ser mais rápida
do que o Direito. “Nesse sentido, parece mesmo que sempre estamos correndo atrás
da vida”, comentou.
Por outro lado”, prosseguiu, “é no Direito que se tem a tutela dos
valores, é no Direito – especificamente notarial e registral – que está o repositório
ético que os avanços tecnológicos não podem desprezar. Muitas vezes, há um atropelo
do avanço tecnológico que o Direito tem a função de segurar, uma vez que a tecnologia
não pode tudo, embora possa muito. Se dermos asas a toda novidade arrogante, acabaremos
por perder a tradição dos valores fundamentais, como a dignidade do ser humano
e a própria segurança de que a sociedade necessita”.
A tecnologia pode
alcançar o registro ou a averbação, mas será que vai atingir a segurança jurídica?”,
questionou o juiz. “Nesse ponto, destaca-se o jogo de valores, ou seja, o que
clama a tecnologia e o que clama a segurança jurídica, valor protegido pelos registros
públicos. Tal como um pai educa o filho, também o Direito acaba educando a tecnologia”.
Incertezas sobre o futuro da dúvidaA aula magna do desembargador
Ricardo Dip teve grande audiência
na transmissão ao vivo e
on line. Ele foi enfático ao comentar o procedimento
de dúvida no registro de imóveis. “O futuro da dúvida é um tanto incerto porque
estamos passando por um período em que há uma revisão das orientações relativas
ao âmbito da dúvida. Hoje há uma concorrência da jurisdição ordinária, da via
jurisdicional ou da via contenciosa, com o procedimento administrativo, ou seja,
da dúvida, coisa que não víamos tanto antigamente. É por isso que há incertezas
a respeito de seu destino futuro”, disse.
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Em casos práticos, como explicou o desembargador Ricardo Dip, isso
significa que, numa sociedade civilizada, quem aguarda uma solução deve buscar
os meios resolutórios para seu problema. “Esses meios resolutórios são de duas
ordens: procura-se a via administrativa ou a via contenciosa. É o caso, por exemplo,
de alguém que está doente e pode tanto tomar um remédio homeopático como tomar
um remédio alopático. Antigamente, não havia tanta consciência dessa duplicidade
de caminhos, por isso a dúvida se reforçou. Hoje, no meu modo de ver, a sociedade
está chegando à consciência dessa duplicidade. Os remédios se duplicam, no entanto,
a solução há de ser a mesma. O remédio alopático, por exemplo, não é a dúvida,
mas sim, um processo de natureza contenciosa.”
Lei 6.766/79 engessa
empreendimentosAssim como os demais Educartórios, o décimo primeiro Seminário de
Direito Notarial e Registral de Ribeirão Preto privilegiou temas da atualidade
em que o cenário econômico e as transformações sociais exigem pronta resposta
dos notários e registradores brasileiros.
A palestra da registradora
Mari
Lúcia Carraro, sobre as questões polêmicas do parcelamento do solo urbano
retratou o que vem ocorrendo com os loteamentos irregulares no interior e na capital
do estado de São Paulo. Segundo Mari, o problema existe em qualquer cidade e especialmente
em Ribeirão Preto, uma vez que os rigorosos modelos padronizados pela lei 6.766/79
acabaram por engessar os empreendimentos e não condizem com as reais necessidades
da comunidade local.
Na cidade de Ribeirão Preto, a classe média busca
condomínios horizontais, para escolher o projeto e o acabamento da casa de acordo
com sua capacidade financeira, modelo de moradia que a lei não atende”.
Imóvel rural: cresce o interesse de investidores externos por terras brasileiras Adriano Erbolato Melo, notário em Presidente Prudente, falou
da crescente demanda do mercado imobiliário por imóveis rurais. É o caso, por
exemplo, do interesse de investidores externos por terras brasileiras, por vários
motivos, e mesmo em razão da cana-de-açúcar, matéria-prima para combustível alternativo.
Segundo
o palestrante, o interesse de estrangeiros na aquisição de imóveis rurais para
diversos fins também está ligado ao georreferenciamento. “A determinação exata
da localização do imóvel situado no Brasil, bem como de suas dimensões e perímetros,
proporciona mais segurança jurídica para o investidor estrangeiro. O georreferenciamento
veio impedir, por exemplo, que um imóvel inexistente ou grilado seja dado em garantia
para eventual financiamento. E no Norte do país a grilagem é freqüente.”
E
apesar de o imóvel rural envolver questões complexas, ele diz que os registradores
e notários acumulam experiência suficiente para enfrentar o georreferenciamento,
averbação de reserva legal, compra e venda por estrangeiros, etc.
Quanto
à lei
11.441/2007, que possibilita a realização de inventário, partilha, separação
e divórcio consensuais pelos notários, Adriano Erbolato Melo acredita que ela
significou uma democratização do acesso à Justiça e que se vai beneficiar os cartórios,
beneficiará principalmente os usuários dos serviços.
Ata notarial pode
documentar reunião de condomínio e outros acontecimentos da vida em sociedadeAssim como o mercado imobiliário caminha para a construção de condomínios
fechados e aguarda com ansiedade a chegada de investimentos estrangeiros, os notários
têm de buscar novas formas de negócios para incrementar suas atividades. É com
essa proposta que
Márcio Pires Mesquita, notário em Indaiatuba, defende
a utilização da ata notarial como instrumento de prova jurídica e sua importância
para documentar inúmeros acontecimentos da vida em sociedade, como por exemplo,
uma reunião de condomínio.
A principal razão da escolha desse tema para
o programa Educartório é justamente lembrar aos nossos colegas a existência da
ata notarial. Muitas vezes, esquecemos de utilizar esse poderoso instrumento em
razão da grande procura por escrituras no dia-a-dia das serventias”, revelou Mesquita.
O
importante, segundo ele, é o tabelião presenciar o fato. “Ele só pode transcrever
para a ata notarial aquilo que viu, ou o que teremos será uma ata notarial de
declaração.”
Com relação aos custos para o cidadão, Mesquita acredita que
a ata poderia seguir os mesmos critérios da escritura pública, ou seja, no caso
de haver algum valor em jogo, o custo poderia basear-se nesse valor. “Caso contrário,
seria estabelecido um valor fixo, enfim, como qualquer instrumento de valor não
declarado. Pelo trabalho despendido não acho que a ata seja cara, uma vez que
o tabelião pode pedir ajuda de outros profissionais, como o acompanhamento de
um perito, ou pode fotografar e anexar as imagens à ata. Em vista de sua rapidez
e completude, não considero elevado o preço.”
Ofício Eletrônico: a
era virtual chega aos serviços notariais e registraisA crescente demanda por serviços notariais e registrais, e a necessidade
de atendê-la, caminham paralelamente à urgência que o setor tem de se adaptar
aos avanços tecnológicos. Foi sobre essa realidade a palestra de
Sérgio Jacomino,
diretor do Irib. Ele apresentou o Ofício Eletrônico, sua origem e trajetória.
Jacomino
relatou o burocrático fluxo dos processos entre a administração pública e os registros
prediais de São Paulo que existiu até aqui. Hoje, com o advento do
Ofício Eletrônico – serviço prestado pela Arisp, em convênio com o Irib, para
viabilizar a emissão de certidões digitais para o poder público –, a burocracia
diminuiu substancialmente, bem como o excesso de trabalho e o custo com papel,
entre outros benefícios. “Tivemos de buscar soluções práticas e efetivas para
dar uma resposta à sociedade”.
ARISP e IRIB operacionalizam Central
Registral de Serviços Eletrônicos Compartilhados As exposições da era digital continuaram com o presidente da Arisp,
Flauzilino Araújo dos Santos e o presidente da
camara-e.net Manuel Matos.
Coube ao presidente da Arisp explicar
o surgimento da certificação digital, sua funcionalidade e vantagens. Quanto à
Central Registral de Serviços Eletrônicos Compartilhados, CRSEC, informou que
ela será operacionalizada em parceria com o Irib, na verdade, já está operando
através do
Ofício Eletrônico. “A proposta é oferecer essa tecnologia para todos os cartórios
do Brasil. Estamos ultrapassando as barreiras de São Paulo, para chegar a outros
estados da federação. A Arisp não tem objetivo financeiro no compartilhamento
dessa tecnologia, mas tem interesse no desenvolvimento do registro de imóveis
e no incremento dos negócios imobiliários no país, principalmente no que tange
à diminuição dos custos com a obtenção de documentos registrais, principalmente
certidões.”
Manuel Matos apresentou a estrutura de segurança e validação
da certificação digital. No que se refere à implantação de tecnologia nos cartórios
assegurou que os notários e registradores estão bem inseridos na economia digital,
são partes integrantes desse processo e protagonistas de algumas ações extremamente
importantes. “Mais do que a integração numa única rede, é preciso buscar uma padronização
de procedimentos e evitar iniciativas isoladas para que possa haver harmonia nos
processos. Ou seja, para evoluir de forma harmonizada é fundamental utilizar padrões
mínimos de informatização, interoperabilidade de aplicação e uso de documento
eletrônico”.
Manuel Matos reforçou a idéia de que a tecnologia da informação
é uma grande ferramenta para a padronização dos procedimentos. “Hoje, ela é mais
do que necessária. Quando perguntei se os presentes tinham
e-mails todos
disseram que sim, mas quando perguntei se teriam website, ou seja, o meio necessário
à prestação de serviços
on line, quase ninguém tinha. O ambiente é favorável
para o trabalho que o Irib vem realizando no sentido da capacitação”.
Educartório: em sintonia com os novos temposO presidente do Irib
Helvécio Duia Castello elogiou as apresentações
do XI Seminário de Direito Notarial e Registral de São Paulo e destacou que elas
estão em sintonia com os novos tempos. “Mais do que uma fase de inovação, estamos
vivendo uma verdadeira revolução. Todos os critérios de avaliação dos processos
praticados estão sendo modificados de forma profunda e efetiva. Estamos caminhando
para a modernidade. Com a certificação digital e o documento eletrônico, por exemplo,
ganharemos qualidade, velocidade, segurança, custos e confiabilidade”. Quanto
ao tema do parcelamento do solo urbano e rural, declarou que “a questão também
está interligada com as novas tecnologias. Hoje é possível averiguar cada casa,
terreno, lote, propriedade rural, estado e município por imagens de satélites.
O que ontem parecia ficção científica, hoje se tornou realidade. É fundamental
trazer essa realidade para os operadores do direito e do sistema notarial e registral,
por isso o papel mais importante das entidades representativas de cada atividade
é propiciar a utilização de ferramentas que insiram rapidamente o pequeno cartório
como parte integrante desse mundo virtual, sem custos, sem dificuldades tecnológicas
ou científicas. Os produtos tecnológicos que apresentamos aqui não implicam a
mudança do sistema de informática utilizado pelo cartório. O que muda é a forma
de comunicação dos dados e documentos. Ao invés de preparar um documento em papel
para remeter por correio, o cartório vai utilizar o sistema que está sendo construído
pela Arisp e Irib para sua relação com a iniciativa privada, com as autoridades
públicas e com o público em geral”.
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Para o presidente da Arisp,
Flauzilino Araújo dos Santos, o
Educartório é uma iniciativa de sucesso. “O Educartório tem sua origem em tratativas
que foram realizadas com a Corregedoria Geral da Justiça do Estado de São Paulo
tendo em vista um projeto inicialmente desenvolvido no Vale do Ribeira, denominado
força-tarefa, que consistiu em apoio aos cartórios de registro de imóveis
de duas comarcas da região que estavam com seus processos defasados. Da iniciativa,
que visava ao aperfeiçoamento técnico das mencionadas serventias, nasceu a idéia
da educação continuada de cartórios. Desde sua primeira edição, o Educartório
tem sido um projeto vitorioso, um modelo para o aprimoramento técnico e profissional
de notários e registradores do estado de São Paulo e de todo o país”.
Questionado
se o Educartório seria o embrião de uma universidade corporativa, Flauzilino observou:
“Tanto o Irib quanto a Arisp contam com projeto para o desenvolvimento sistematizado
de cursos. Os cursos desenvolvidos pelo Irib superam o número de cursos oferecidos
pelas chamadas universidades corporativas. O Irib e a Arisp se preparam para constituir
uma universidade de formação de educação continuada de registradores, notários,
e outros operadores do direito que trabalham com registro de imóveis direta ou
indiretamente.”
Para
Ubiratan Pereira Guimarães, vice-presidente
do Colégio Notarial do Brasil, a cada edição do Educartório há mais integração
dos participantes. “É gratificante verificar a qualidade das palestras apresentadas
e a efetiva participação dos nossos colegas, o que demonstra que a iniciativa
da CGJSP, do Irib, da Arisp e do Colégio Notarial foi revolucionária, principalmente
neste evento, com a transmissão
on line pela Web-TV. Essa é uma iniciativa
que merece todos os elogios pela competência e dedicação dos presidentes das entidades
e de Sérgio Jacomino, diretor do Irib, nessa integração entre notários e registradores.
A realização de ações conjuntas de notários e registradores mostra que nossa atividade
tem vida longa pela frente e cada vez mais integrada. Essas ações vão resultar
em melhor prestação de serviços à sociedade”.
Lincoln Bueno Alves,
ex-presidente do Irib, elogiou o sucesso do encontro e lembrou alguns momentos
importantes da história do Irib. “O Instituto passou por várias fases desde seu
fundador Júlio de Oliveira Chagas até outros grandes nomes que o presidiram. Minha
gestão foi um período de grande abertura do nosso sistema registral. Convênios
de cooperação técnica e científica com a Espanha e outros países da Europa e da
América Latina possibilitaram essa pujança do Irib. O Instituto alcançou grande
respeitabilidade graças à gestão de Sérgio Jacomino e agora do Helvécio Duia Castello.
Foram gestões que marcaram muito, e tudo isso nasceu de uma abertura democrática.
O Irib foi um condomínio, trouxemos novas pessoas, fizemos lançamentos na área
de informática e editamos livros de Direito registral imobiliário que foram enviados
para os tribunais brasileiros e para as universidades, o que fez com que o registrador
se tornasse um profissional respeitado”.
O anfitrião e organizador do Educartório,
José Roberto de Almeida Guimarães, 4º Tabelião de Notas de Ribeirão
Preto, afirmou estar animado como um iniciante na profissão com as novidades apresentadas
no evento. “Fico muito feliz com as novas ferramentas apresentadas e estou muito
motivado para continuar a trabalhar nesta minha profissão”.
A tabeliã
Inez
Faleiros Macedo (5º tabelionato de Ribeirão Preto) prestigiou o evento e comentou:
“Trazer para Ribeirão Preto os eventos realizados pelo Educartório é muito importante,
uma vez que os registradores do interior estão, de certo modo, isolados e distantes
das novidades. Precisamos estar entrosados e atualizados para que possamos desenvolver
nossas atividades com perfeição.”