14/09/2006 - n. 2647NOTAS & NOTÍCIAS
ARISP e TRT celebram convênio para agilizar trânsito de informações registraisJustiça
do Trabalho on line
com os registros da capital de SP
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| Marcio Nisi Gonçalves, Juíza Maria Cristina C. Trentini, Flauzilino
Araújo dos Santos e Manuel Matos |
A Associação dos Registradores
Imobiliários do Estado de São Paulo, Arisp, e o Tribunal Regional do Trabalho
da 2ª Região firmaram convênio de cooperação técnica para intercâmbio de informações,
no último dia 17 de agosto, no Fórum Trabalhista Ruy Barbosa, em São Paulo, SP.
O
convênio visa proporcionar aos juízes trabalhistas acesso à base de dados dos
registros de imóveis da capital, por meio de certificação digital, de maneira
a agilizar o trânsito de informações entre os registros de São Paulo e a Justiça
do Trabalho.
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| Flauzilino Araújo dos Santos e a juíza Dora Vaz Treviño |
Participaram da solenidade de assinatura do convênio a presidente
do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, juíza Dora Vaz Treviño, a juíza
titular da 29ª Vara do Trabalho de São Paulo, Maria Cristina C. Trentini, o ministro
corregedor-geral da Justiça do Trabalho, Luciano de Castilho, o diretor da Secretaria
de Informática do TRT da 2ª Região e consultor de informática do Conselho Superior
da Justiça do Trabalho, Marcio Nisi Gonçalves, o presidente da Arisp, Flauzilino
Araújo dos Santos, o presidente da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, Manuel
Matos, e o presidente do Irib, Sérgio Jacomino.
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| Sérgio Jacomino e Manuel Matos |
Na ocasião
o presidente da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, Manuel Matos, proferiu
a palestra
Certificação Digital nos termos da lei 11.280/06 e destacou
a medida provisória 2.200/02, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas
Brasileira, ICP-Brasil, para garantir a autenticidade, a integridade e a validade
jurídica dos documentos eletrônicos.
O presidente da Arisp Flauzilino Araújo
dos Santos fez um breve histórico sobre a entidade, fundada em 22 de janeiro de
1993, para integrar os dezoito cartórios de registro de imóveis da capital, e
apresentou as vantagens da inclusão do sistema de ofício eletrônico nas rotinas
diárias do TRT da 2ª Região.
Convênio ARISP-IRIB pode estender o sistema
de ofício eletrônico para todo o BrasilRespaldado pela MP 2.200-2/01,
o sistema de ofício eletrônico foi desenvolvido para atender à demanda por informações
registrais feitas por diversos órgãos do poder público. Em São Paulo, cerca de
mil solicitações de certidões são feitas diariamente.
A base de dados administrada
pela Arisp contém os nomes, CPFs e CNPJs de proprietários, ex-proprietários e
titulares de direitos de imóveis registrados a partir de 1976.
Por meio
do ofício eletrônico, mediante o uso de certificação digital ICP-Brasil, o juiz
trabalhista poderá solicitar as certidões referentes ao devedor-executado e obtê-las
num prazo máximo de cinco dias.
O ofício eletrônico vai simplificar e agilizar
os processos de execução do TRT, uma vez que o sistema oferece verificação instantânea
da informação, além de proporcionar economia no consumo de papel e redução de
gastos com envelopes e remessas”, declarou o presidente da Arisp.
O juiz
trabalhista saberá, em tempo real, se determinado devedor possui ou não bens registrados
em um dos dezoito cartórios de registro de imóveis da capital. Em caso negativo,
o sistema avisará automaticamente. Em caso positivo, a certidão eletrônica será
remetida ao tribunal no prazo máximo legal de cinco dias”, completou.
Os
juízes do TRT da 2ª Região receberão o devido treinamento para operar o sistema
e serão cadastrados para utilizá-lo como suporte nas execuções trabalhistas. Uma
vez cadastrado, a autoridade pública ou servidor designado poderá acessar imediatamente
o
site
www.oficioeletronico.com.br.
Segundo Flauzilino Araújo dos Santos,
o convênio firmado com o Instituto de Registro Imobiliário do Brasil, IRIB, visa
estender o sistema de ofício eletrônico para todos os cartórios da Federação.
“Trata-se da criação de um centro de serviços eletrônicos compartilhados que tem
por objetivo oferecer às entidades públicas e privadas informações eficientes,
rápidas e seguras sobre os processos registrais. Esse projeto está sendo desenvolvido
em conjunto pela Arisp e Irib”, comentou.
Com o novo sistema, a informação
passa a ser imediata
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| Juíza Maria Cristina Trentini |
A juíza titular
da 29ª Vara do Trabalho, Maria Cristina Trentini, que participou da solenidade
de assinatura do convênio entre o TRT e a Arisp, é uma entusiasta do projeto.
“O ofício eletrônico será fundamental para a verificação rápida das informações
a respeito do devedor-executado. No processo tradicional, o juiz expedia o ofício,
que era
entregue ao cartório
por meio de um oficial de justiça,
ou pelo correio. O cartório recepcionava o documento, realizava sua consulta interna,
e enviava a resposta. O tempo médio para todos esses trâmites era de quase 90
dias. Com o novo sistema, os ofícios serão expedidos eletronicamente e a resposta
do cartório será muito mais rápida e efetiva”.
O diretor da Secretaria
de Informática do TRT da 2ª Região, Marcio Nisi Gonçalves, que também participou
da assinatura do convênio, afirmou que com o ofício eletrônico haverá redução
expressiva no prazo das ações de execução. “Com esse sistema, a informação passa
a ser imediata. No momento que o juiz expedir o ofício, ele já encontrará a informação
na base de dados da Arisp. Além disso, graças à automatização dos processos internos
dos cartórios, no que se refere à emissão de ofícios, as certidões solicitadas
pelo juiz serão entregues muito rapidamente. O ganho de tempo no procedimento
total será enorme, de noventa dias para no máximo cinco, que é o prazo legal para
a resposta do cartório”.
Convênio abrangerá 163 varas de Trabalho e
46 municípios da Grande São Paulo e Baixada Santista
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| Juíza Dora Vaz Treviño |
A presidenta do
Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, doutora Dora Vaz Treviño, que assinou
o convênio pelo tribunal, falou ao
Boletim Eletrônico IRIB sobre a importância
do convênio estabelecido com a Arisp para a celeridade dos processos e a otimização
dos serviços ao cidadão.
BE – O que motivou o Tribunal Regional
do Trabalho da 2ª Região a estabelecer um convênio com a Arisp?
Juíza
Dora Vaz Treviño – Entramos em contato com a Arisp com o objetivo de agilizar
nosso trabalho de busca de dados sobre executados que possuam imóveis, para que
possamos penhorar o bem para garantia do crédito trabalhista. O doutor Flauzilino
Araújo dos Santos e outros quatro titulares de cartórios nos apresentaram o sistema
de ofício eletrônico. A primeira idéia era agilizar o trâmite dos processos em
papel, que levava três ou quatro meses. Agora, a espera será somente de uma semana.
BE – Qual a área de abrangência do convênio?
Juíza Dora Vaz Treviño
– O convênio é válido para o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª região,
que abarca a Grande São Paulo e a Baixada Santista. São 163 varas de Trabalho
e 46 municípios abrangidos, o que totaliza 21 milhões de jurisdicionados. Considerando
que 45% são trabalhadores, nosso tribunal atende, em média, 12 milhões de pessoas.
BE – O que o tribunal espera alcançar com esse convênio?
Juíza
Dora Vaz Treviño – Esse convênio certamente evitará que muitos processos
se prolonguem ou fiquem arquivados em razão da não localização do executado. De
nada adianta uma sentença dada para a garantia dos direitos do trabalhador se
não é possível executar a empresa porque simplesmente não foi localizada ou não
existe mais. O convênio com a Arisp vai permitir localizar esse devedor mais rapidamente
e agilizar o trabalho do juiz. Nosso objetivo é otimizar os serviços do tribunal,
de forma a garantir um bom atendimento ao cidadão.
Presidente da Câmara
e.net destaca contribuição do sistema registral e notarial para o desenvolvimento
da economia digital brasileira O
Boletim Eletrônico IRIB entrevistou o presidente da Câmara
Brasileira de Comércio Eletrônico – Câmara e.net, Manuel Matos, que falou sobre
o crescimento da economia digital brasileira e destacou a participação dos notários
e registradores no âmbito do Comitê Gestor da ICP-Brasil.
BE – Como
o senhor classifica a participação do sistema registral brasileiro no Comitê Gestor
da ICP-Brasil?
Manuel Matos – A participação dos notários e registradores
na ICP-Brasil é emblemática, uma vez que eles são os operadores da documentação
convencional no país e os formadores da base de dados primária de uma nação. Somos
registrados quando nascemos, quando casamos e quando morremos. Também é registrada
a compra de um carro, de um imóvel, a venda desses bens, ou, ainda, somos protestados.
A
base de dados na economia digital é um dos ativos mais importantes.
Existem
três importantes ativos numa economia digital: a marca, e cartórios têm marca;
a tecnologia, que estamos construindo ao constituir as autoridades certificadoras
brasileiras do sistema notarial e registral; e a base de dados, a primária é exatamente
gerenciada pelos notários e registradores. Portanto, essa é uma participação que
se reveste de dupla função: por ser emblemática, pelo papel que desempenha esse
setor na preservação documental de uma nação, e por ser estratégica. É isso que
forma uma base de dados primária.
BE – Qual o tempo estimado para
que todos os cartórios estejam nesse sistema de ofício eletrônico?
Manuel Matos – Acho que será muito rápido uma vez que isso se propaga
de forma crescente, como se essa fosse a semente de uma árvore cujos galhos irão
nascendo. Ao observarmos o avanço da tecnologia em outros setores, como a Internet,
por exemplo, verificamos que, em dez anos saímos de um patamar de 15 mil internautas
para mais de 20 milhões. A tendência é que rapidamente os demais cartórios possam
se unir a esse esforço de modernização. A demanda por serviços
on line
é crescente na sociedade brasileira. Quem não conseguir atender seu cliente
on
line, independentemente do segmento de atuação, estará fadado ao desaparecimento.
BE – Mesmo em face da heterogeneidade das regiões brasileiras, o senhor acredita
nessa disseminação?
Manuel Matos – As regiões mais longínquas,
que têm menor acesso à tecnologia, são também regiões de menor densidade econômica.
Acredito que o primeiro esforço deva ser para atingir os 40 milhões de brasileiros
incluídos economicamente nessa área registral. Iremos por ondas, primeiro vamos
incluir aqueles que já tem acesso à tecnologia, ou seja, os internautas brasileiros,
depois atingiremos a população que não tem acesso.
BE – Além da
pressão da sociedade pela prestação eletrônica de serviços, os próprios órgãos
públicos estão passando a receber informações somente por meio eletrônico.
Manuel Matos – Sem dúvida, considero um fator indutor e motivador nesse processo
de modernização porque o Estado brasileiro teve de se modernizar não por desejo
político, mas porque perdeu a capacidade de agir na economia com a tecnologia
tradicional, por meio de papel e lápis. Hoje, por exemplo, se a Receita Federal
quisesse eliminar a entrega do Imposto de Renda pela Internet e voltar a receber
em papel, não haveria mais condições de atender à população. Ao perder sua capacidade
de oferecer um serviço público na forma tradicional, o Estado foi forçado a utilizar
a tecnologia da informação para continuar exercendo seu papel de fiscalizador,
de poder de polícia, de arrecadador de impostos, ou ainda, de fornecedor de serviços
públicos à sociedade.
BE – Como está o Brasil em termos
de prestação de serviços digitais?
Manuel Matos – É um exemplo
mundial na área de declaração de imposto de renda pela Internet; na concessão
de bolsas de estudos para universitários com o programa universidade para todos,
Prouni; nas eleições realizadas de forma eletrônica, além da Infra-estrutura de
Chaves Públicas brasileira, Internet bank, sistema brasileiro de pagamentos, enfim,
somos um exemplo mundial. Vários países vêm ao Brasil para entender nosso modelo
de desenvolvimento na economia digital. Na economia tradicional, o Brasil tem
baixa competitividade, mas na economia digital é um forte competidor com os países
em desenvolvimento.
BE – O senhor acredita que esse êxito
brasileiro é impulsionado pela falta de recursos do país?
Manuel Matos
– Dizem que a necessidade faz o sapo pular. É impulsionado pela própria necessidade.
Temos de ser criativos. Na economia digital, eu diria que esse é o Brasil do Airton
Senna, do Guga, do Pelé, ou seja, o Brasil que dá certo. Estamos muito bem na
economia digital.
(Fonte. Agência Irib de Notícias; Reportagem Claudia
Trifiglio, Edição FR, Fotos C. Petelinkar).