13/05/2005 - n. 1.744GEOLONDRINA 2005
Georreferenciamento suscita polêmica em Londrina
Cúpula do
Incra rebate críticas mas não redefine prazos Por ocasião do segundo
dia do GeoLondrina, (6/5), após
manifestação
de dirigentes e assessores da CNA – Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária,
representantes do Incra proferiram palestra emitindo a posição do órgão governamental
sobre o Georreferenciamento, em face da
Carta
de Araraquara, proposta pelo Irib no ano passado.
 |
A
alta cúpula do Incra mostrou-se aberta para discutir soluções sobre o tema, embora
não se tenha posicionado oficialmente quanto à extensão dos prazos. Marcos Alexandre
Kowarick, diretor de Programas e coordenador de Ordenamento Territorial do INCRA
– Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, sugeriu parcerias com cooperativas,
sindicatos e governos de estados para melhor aplicabilidade da lei do georreferenciamento.
Ele declarou: “Ficou clara a necessidade do cadastro, o encontro afirmou isso
em alto e bom som. E nós caminhamos para a melhoria e aperfeiçoamento, tanto do
marco legal como também do conhecimento da tecnologia que envolve isso – que afinal
barateie os custos. E pelo público que aqui participou, desde topógrafos, engenheiros,
firmas, setor público, setor privado, cartórios, apontaram-se vários consensos,
vários caminhos comuns”. Kowarick acenou com a possibilidade de o governo dar
um prazo maior para a operacionalização da lei de georreferenciamento, afirmando
“Existe, do ponto de vista técnico, a possibilidade de ampliar o prazo para esse
extrato que está vencendo. Agora, essa é uma decisão política, que envolve a direção
do INCRA, o Ministério do Desenvolvimento Agrário, o Ministro Miguel Rosseto,
e a Casa Civil. Portanto, extrapola a nossa órbita aqui, no momento”.
Irib
“o grande parceiro do governo” O Diretor Marcos Kowarick referiu-se
à realização de uma oficina de trabalho enfocando aspectos tecnológicos do geoprocessamento,
envolvendo a regularização fundiária, o registro, preços praticados no Brasil
etc. O encontro pretende ainda tratar de questões normativas que podem ser disparadas
pelo próprio INCRA. “A oficina é de automação dos processos de Regularização Fundiária
e a previsão da realização dessa oficina será em julho. Nós convidamos o IRIB
para ser o grande parceiro disso, pois vai ser uma revolução para os cartórios”.
Confira,
a seguir, entrevista exclusiva concedida para o BE no GeoLondrina, por Marcos
Alexandre Kowarick do Incra.
ENTREVISTA COM MARCOS ALEXANDRE KOWARICK
– Diretor de Programas e coordenador de Ordenamento Territorial do INCRA – Instituto
Nacional de Colonização e Reforma Agrária
BE - Fale sobre
os principais questionamentos lançados hoje no GeoLondrina. MAK
- São vários pontos, em que houve contribuições para a melhoria e adequação
da lei. Alguns, pela forma como estão sendo colocados, se adotados, anulam a lei.
Então, nessa discussão que nós tivemos aqui, há um amplo espectro de posições:
posições que querem colaborar para a construção e melhoria, aprimoramento da lei
e a sua implantação, defendendo o mérito, a importância e o avanço da legislação
para o Brasil, do ponto de vista econômico e social; E uma outra posição mais
refratária, ou seja, um lado achando que tem tanto problema, que no final, a melhor
forma seria não cumprir a lei, jogar pras calendas ... Trinta, quarenta, cinqüenta
anos... o que anula uma lei! Uma lei que pode ser cumprida daqui a cinqüenta anos,
não é lei! Então, eu acho que, entre esses dois campos, a discussão foi muito
profissional, muito técnica. Ficou clara a necessidade do cadastro, o encontro
afirmou isso em alto e bom som. E nós caminhamos para a melhoria e aperfeiçoamento,
tanto do marco legal como também do conhecimento da tecnologia que envolve isso
– que barateie os custos.
BE - Houve consensos e divergências
tópicas.... MAK - E pelo público que aqui participou, desde
topógrafos, engenheiros, firmas, setor público, setor privado, cartórios, apontou
vários consensos, vários caminhos comuns. O interessante é que as diferenças referem-se
a questões menores, de quem quer melhorar o sistema. Então, isso aponta para que,
em um período curto, antes de esgotar o prazo da lei, nós tenhamos propostas de
adequação, de melhoria da performance da lei. Porque nós estamos tratando de entidades
que antes não tinham esse relacionamento – entidades públicas e privadas – e um
relacionamento com o púbico. Nós queremos melhorar o serviço ao público e construir
um sistema de cadastro nacional georreferenciado. Essa determinação nós não abrimos
mão, essa determinação é do governo federal. Vamos acatando, respeitando, desenvolvendo
e aprimorando todos os marcos, aplicando a lei e melhorando as suas normas - o
que puder por decreto -, para que o objeto da lei seja atingido, para que seja
realmente atingido o que o legislador buscou e defendeu. Então, acho que é muito
positivo e a questão dos prazos é um problema técnico e político, porque esse
processo tem que se manter tencionado no sentido de construir e não de relaxar
– essa é a nossa opinião.
BE - E com relação aos prazos, o que
tem a nos dizer? MAK - Aquilo que realmente for prejudicar
em termos do espaço e do tempo visível, deverá ser alterado. E essa é uma conclusão
política do INCRA e do MDA, e submetida essa apreciação à Casa Civil. É esse o
processo que vem ocorrendo nesses dois meses agora. E por isso, a contribuição
que o IRIB deu, na criação desse fórum foi muito grande, foi enriquecedor, saíram
sugestões muito ponderadas, muito construtivas e acho que é dessa forma que nós
vamos poder fazer essa parceria grande para construir um cadastro no país, viabilizar
esse desenvolvimento do cadastro.
BE - Que sugestões o senhor
considera possíveis de ser viabilizadas? MAK - Tirando ainda
uma apreciação sobre o tempo, todas as outras nós aprovamos do ponto de vista
do mérito, o mérito está correto. Agora é uma questão de se fazer um ajuste: um
termo, uma palavra, como é o processo que se dá no cartório, etc. No conjunto
nós concordamos, inclusive a questão polêmica de parcela, o IRIB teve a sensibilidade
de manter uma conversa mais jurídica, da implicação dela em toda legislação agrária,
é uma coisa complexa. Na verdade, a parcela é uma diferenciação das áreas dentro
de um imóvel rural. Isso aí o cadastro quer, precisa ter e é importante, nós queremos
chegar o mais próximo possível da realidade do imóvel; não só para questão pública
mas, para a própria política de crédito, às políticas da região, para tudo. Para
as próprias categorias, associações de sindicatos, associações de produtores e
cooperativas, para eles é fundamental isso, tanto é que eles estão nesse jogo.
BE - O Sr. não pode adiante nada quanto ao prazo do Georreferenciamento?
MAK - A questão do prazo não tem como colocar aqui, o prazo
vai ser definido.
BE - Vai continuar sendo até outubro ou vai
ser estendido? MAK - Existe, do ponto de vista técnico, colocação
da possibilidade de ampliar o prazo para esse extrato que está vencendo. Agora,
essa é uma decisão política, que envolve a direção do INCRA, o Ministério do Desenvolvimento
Agrário, o Ministro Miguel Rosseto, e a Casa Civil. Portanto, extrapola a nossa
órbita aqui, no momento. Então, foi por isso que nós não dissemos nada sobre o
prazo, porque nós não temos autoridade para isso.
BE - Fale sobre
o convite que o senhor propôs sobre uma oficina? O que vem a ser? MAK
- É uma oficina em que nós vamos tratar sobre os aspectos tecnológicos do
processamento todo, da regularização, do geoprocessamento, os preços praticados
no Brasil; é uma oficina envolvendo todos os setores da iniciativa privada, para
que a gente chegue num bom patamar de debate técnico e imediatamente vendo tudo
aquilo que pode ser apropriado de uma forma coletiva no país, vamos tratar das
questões normativas que a gente já pode mudar no INCRA. A oficina é de automação
dos processos de Regularização Fundiária e a previsão da realização dessa oficina
será em julho. Nós convidamos o IRIB para ser o grande parceiro disso, pois vai
ser uma revolução para os cartórios. Convidamos também a CNA, o Contag e o setor
privado, as empresas que trabalham com isso hoje. Tem vários profissionais liberais
que trabalham com isso, que têm tecnologia desenvolvida e a gente não sabe. Então,
é um momento de muita troca, por isso eu chamo de Oficina, porque nós queremos
saber tudo o que existe e é possível de melhorar, desde a saída do cartório até
a devolução para o cartório. Quer dizer, o que pode ser feito para encurtar esse
espaço, melhorar a integração, em um sistema
on-line.
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