06/05/2004 - n. 1.126XVIII ENCONTRO DO
COMITÊ LATINO-AMERICANO DE CONSULTA REGISTRAL Comitê Latino-Americano
de Consulta Registral
Ata de Santo Domingo
Local, data
e países representados Na cidade de Santo Domingo, na República Dominicana,
aos vinte e dois dias do mês de março do ano de dois mil e quatro, reuniram-se
os registradores membros que assinaram ao final a presente, representantes dos
seguintes países: Argentina, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador,
Honduras, México, Panamá, Peru, República Dominicana e Venezuela; e como convidados
especiais os registradores da Espanha, Estados Unidos, Federação Russa e Portugal.
A presente reunião aconteceu na cidade de Santo Domingo, convocada pelo comitê
organizador e disposta pelos registradores da República Dominicana para que fosse
realizada em Santo Domingo, conforme o que foi resolvido no XVII Encontro do comitê
latino-americano de consulta registral, com o objetivo de abordar o tratamento
dos temas oportunamente dispostos de acordo com as propostas das autoridades organizadoras.
Abertura
e Desenvolvimento dos trabalhos Tal como estava previsto, das nove
às dezesseis horas do dia vinte e dois de março de dois mil e quatro, começaram
as atividades que se concentraram em registrar a inscrição e receber os trabalhos
apresentados; às dezessete horas do dia vinte e dois, realizou-se o ato de abertura,
cuja mesa de honra foi integrada pelo senhor presidente da Suprema Corte de Justiça,
doutor Jorge A. Subero Isa, pelo senhor coordenador do XVIII Encontro, doutor
Wilson Gómez Ramírez, pela titular do Registro de Terras do Distrito Capital,
Rosabel Castillo, e pelo secretário coordenador, doutor Alberto F. Ruiz de Erenchun.
No ato, entoou-se o hino nacional e ouviram-se as palavras do senhor presidente
da Suprema Corte e do senhor secretário de coordenação. Encerram o ato as interpretações
musicais a cargo do coro da Suprema Corte de Justiça. Procedeu-se a um intervalo
e foram retomadas as deliberações.
Primeira reunião e a incorporação
de Cuba Às nove horas e meia do dia vinte e três de março, foi reaberto
o encontro, quando se procedeu à primeira reunião de trabalho. Em atenção à presença
do registrador da República de Cuba, Jhosvany Martínez Barreiro, o secretário
de coordenação agradeceu em nome de todos os registradores presentes a participação
do referido delegado, solicitando-lhe por sua vez que expusesse aos presentes
a intenção dos registradores cubanos de se incorporarem ao comitê. Em resposta,
Jhosvany Martínez Barreiro agradeceu o gesto dos colegas pela recepção e pelo
beneplácito da incorporação, pelo que foi aplaudido por todos.
O princípio
de inscrição, leasing, fideicomisso, aquëstos e direitos hereditários Ato
contínuo procedeu-se à abordagem do tema I: O princípio de inscrição a respeito
do registro de leasing, o fideicomisso – do domínio ou outro direito real. Experiência
de cada país – modalidades de assentos. Disposição pelos herdeiros dos direitos
hereditários. Assentos registrais dos direitos quando são bens aqüestos. Tratamento
e modalidades. A respeito, foram apresentados os seguintes trabalhos: 1. Fideicomisso
mercantil de garantia e seu conflito com a hipoteca, por Pedro Alvear Bardellini,
do Equador; 2. A propriedade fiduciária, por Francisco Gilberto Silva López, da
Colômbia; 3. O fideicomisso no Panamá, por Doris Vargas de Cigarruista, do Panamá;
4. O princípio de inscrição a respeito do leasing e o fideicomisso, por Alberto
Ruiz de Erenchun; 5. Modelos de assentos em fólio real no registro da propriedade
imóvel da capital federal a respeito do
leasing imobiliário, hipoteca fiduciária
e direitos aqüestos, por Rodolfo Carol Lugones e Alejandro Sing. Abriu-se a discussão
do tema para que os diferentes representantes expusessem o estado atual da questão
do ponto de vista registral, em seus respectivos países, como o fideicomisso e
o
leasing (mobiliário e imobiliário), casos em que essas figuras são consideradas
direitos positivos, uma vez que eles não se apresentam da mesma maneira. Foi possível
comprovar que nos diferentes países as regulamentações são distintas bem como
os assentos registrais que as comprovam. O
leasing imobiliário tem uma
relativa utilização, mas não o
leasing mobiliário. À tarde, os trabalhos
continuaram, mediante o mesmo recurso de exposição de país por país. Discorreu-se
sobre o tema da disposição dos bens de herança pelos herdeiros cujas diferenças
incidem sobre diversos direitos substantivos, especialmente sobre o direito de
inscrever a transmissão do imóvel no registro da propriedade imóvel por
mortis
causa. Em alguns países, os direitos hereditários são inscritos em registros
especiais diferentes do domínio, e chega-se ao domínio tão-somente se existir
a respectiva adjudicação, seja judicial ou extrajudicial, segundo os respectivos
regimes. Essas circunstâncias permitiram comprovar que há países onde é possível
conduzir o negócio sobre os direitos universais, antes de o direito ser particularizado
em bem determinado – por adjudicação e/ou legado.
Registro e informática
Em continuação, procedeu-se ao tratamento do tema II: Registro da
propriedade imóvel: métodos empregados para efetuar a passagem de livros a modernas
técnicas de registro. Meios informáticos, capacitação. Experiências. Participação
do registrador nas reformas legislativas relacionadas com a transformação técnica.
Foram apresentados os seguintes trabalhos: 1. Terraméricas, por Mariana Herrera,
com a colaboração de Joyline Sanjak, dos Estados Unidos; 2. Métodos do livro de
registro para uso de meios técnicos modernos, por Víctor Suzdal, vice-presidente
da Câmara Registral da Província de Moscou, Rússia; 3. Métodos empregados para
efetuar a passagem de livros para as modernas técnicas de registro, por Doris
Vargas de Cigarruista, do Panamá; e 4. Projetos de transferências massivas da
informação registral no Centro Nacional de Registros de El Salvador, por Gerardo
Maltez García, de El Salvador. Procedeu-se ao tratamento do tema por diferentes
expositores, que formularam diversos esclarecimentos a respeito da situação de
diferentes países, notadamente sobre os procedimentos efetuados para a passagem
de livros para as modernas técnicas de registro. Assim, foi possível traçar um
panorama da situação em cada um dos países bem como suas dificuldades, uma vez
que em todos eles existem casos de assentos nem sempre claramente interpretados
– graças tanto às vendas como às baixas com imprecisão de superfícies, bem como
graças às imprecisões relacionadas ao sujeito titular ou aos direitos inscritos.
Regularização
fundiária Em continuação, procedeu-se ao tratamento do tema III: O
fólio real: soluções para os casos de terras sem título inscrito. Primeira inscrição.
Cobranças. Procedimento judicial e extrajudicial. Experiências de conexão dos
serviços registrais com outros serviços – cadastro e registro. Foram recebidos
os seguintes trabalhos: 1. Soluções para os casos de terras sem títulos inscritos,
por Doris Vargas de Cigarruista, do Panamá; 2. A coordenação registral e cadastral,
por Ignacio Becerra Sepulveda, do México. Aberto o tratamento do tema, pronunciaram-se
os diferentes expositores; em seguida, formularam-se diversos questionamentos
sobretudo pelos representantes dos países onde o tema é crítico. Do mesmo modo,
desenhou-se um panorama de país por país sobre as experiências de conexão entre
os registros e o cadastro.
Modernização dos registros prediais Em
seguida, graças às vinculações dos temas, resolveu-se passar para o tratamento
do tema IV: Os processos de modernização dos registros da propriedade imobiliária.
Experiência de cada país. Programa de modernização da jurisdição de terras na
República Dominicana. A respeito, foram expostos os seguintes trabalhos: 1. Desjudicialização
versus administrativização, por Juan Luis Guzmán Bencosme, da República Dominicana;
2.
O
registro Torrens brasileiro e o sistema imobiliário atual, por Décio Antônio Erpen
e João Pedro Lamana Paiva, do Brasil; 3. O sistema Torrens na República Dominicana,
por Robinson Cuello Shanlate, da República Dominicana; 4. Os processos de modernização
dos registros da propriedade imobiliária, por Doris Vargas de Cigarruista, do
Panamá; 5. Processo de modernização do Centro Nacional de Registros, por Ruth
Jeannette Cuestas, de El Salvador; 6. O sistema registral dominicano, por Raúl
Rodolfo García Coni e Enrique Oscar Soler. Prosseguindo, à luz do tratamento deste
tema e do tema III, foram formulados diversos questionamentos pelos representantes
dos diferentes países. Em seguida, procedeu-se ao tratamento do tema V: A fraude
e a falsificação no âmbito registral. Medidas preventivas. Incidência na segurança
jurídica. Experiência de cada país. Foram recebidos os seguintes trabalhos: 1.
A fraude no tráfico jurídico de bens. Medidas preventivas. Incidência na segurança
jurídica. Experiência na Costa Rica, por Jorge Enrique Alvarado e Oscar Rodríguez
Sánchez, da Costa Rica, que ofereceram a página web do registro:
www.registronacional.go.cr
; 2. Medidas de segurança implementadas no registro da propriedade imóvel da capital
federal, por Rodolfo Carol Lugones; e 3. Assentos apócrifos. Supressão. Doutrina
do registro da propriedade imóvel da capital federal, por Alberto Ruiz de Erenchun.
Aberto o tratamento do tema, ouviu-se a exposição dos registradores da Costa Rica,
a qual deu origem a um intercâmbio de opiniões e delineou-se o aspecto crítico
da situação da fraude, tanto nos documentos apócrifos como nos dos assentos dessa
natureza. Passaram-se em revista as dificuldades que existem tanto com relação
aos documentos (notariais ou judiciais) como com respeito aos mesmos assentos
registrais originados sem respaldo documental. Ouviram-se relatos de iniciativas
relacionadas às reformas legislativas em direção a tipos penais específicos, como
à formação de instrutores penais especializados com os quais os registradores
colaborariam. Na continuação, procedeu-se ao tratamento do tema VI: Outros registros:
mercantil. automotores. naves. aeronaves. águas marinhas. Avanços em cada país.
Aplicação de tecnologia. Meios empregados. Conexões dos serviços registrais com
outros serviços. Experiências. Foram apresentados os seguintes trabalhos: 1. População
versus recursos hídricos, por Mario Alberto Rodríguez Pérez, do México; 2. Outros
registros: mercantil. Automotores. Naves. Aeronaves. Águas marinhas, por Doris
Vargas de Cigarruista, do Panamá; 3. Os registros de automóveis, naves e aeronaves
da República Dominicana, por Ramón Frías Peguero, da República Dominicana; 4.
Registro mercantil como fonte de informação comercial e instrumento para o desenvolvimento
econômico, por Juan Manuel Armenteros, da República Dominicana; 5. Modernização
dos registros públicos de propriedade e comércio no México, por Hugo Ricardo de
la Rosa Guzmán, que ofereceu a seguinte página web para mais informações:
www.siger.gob.mx
. Aberto o debate, ouviu-se a exposição do registro de comércio e todo o tratamento
que o México leva a cabo na matéria. Em relação ao registro de automotores, naves,
aeronaves, ouviu-se a exposição do licenciado Ramón Frías Peguero, que brindou
a platéia com um detalhado informe sobre cada registro e do mesmo modo recomendou,
segundo a experiência daquele país, com o que concordaram o total dos assistentes,
que os registros desse tipo de bens tenham devidamente separados os conceitos
da propriedade do bem em relação às políticas especiais, tanto em circulação quanto
do ponto de vista da responsabilidade fiscal, da bandeira e de outros aspectos
próprios que correspondem a essas espécies. Posteriormente, ouviu-se o presidente
da Câmara de Comércio da República Dominicana, senhor Juan Manuel Armenteros,
que apresentou uma detalhada exposição a respeito da competência dos aspectos
registrais própria da instituição, suas atribuições e os meios mediante os quais
leva a cabo essa incumbência. Para finalizar, ouviu-se o licenciado Hugo Ricardo
de la Rosa Guzmán, que, como diretor geral de Normatividade Mercantil, da Secretaria
de Economia do México, expôs o plano de modernização dos registros públicos do
comércio, naquele país, os quais, embora sejam estaduais no plano funcional, portanto
descentralizados em sua gestão, foram integrados em rede nacional, a qual considera
do mesmo modo o documento eletrônico e a assinatura eletrônica a par da clássica
documentação em papel. As três exposições foram transmitidas pela Internet e por
PowerPoint, acompanhadas com vivo interesse e debates ao final. Finalmente tratou-se
do tema VII: Tratamento do projeto de lei modelo de garantias mobiliárias aprovado
pela Organização dos Estados Americanos, OEA. Ameri-hipotecas de pautas similares.
Foram recebidos os seguintes trabalhos: 1. Projeto alternativo à lei-modelo de
garantias mobiliárias, por Alvaro Delgado Scheelje, do Peru; 2. Projeto de acordo
internacional de fronteiras jurídicas, por Alberto Ruiz de Erenchun, da República
Argentina. Tratado o tema como projeto de lei-modelo pelo expositor Alvaro Delgado
Scheelje, acordou-se, não sem antes ouvir o notário argentino Carlos G. Fischbarg
sobre as linhas gerais do registro de penhor e demais bens móveis daquele país,
continuar o tratamento da lei-modelo como um dos pontos do próximo encontro, dada
a extensão que o tratamento do assunto requer.
Temas para o próximo
encontro Temas para o próximo encontro.
Tema I: Princípio de
inscrição: relação entre celeridade e segurança. Volume e tempos de inscrição.
Prazos em cada país e custos para o usuário do serviço. Sistemas de arrecadação.
Publicidade formal: formatos. Meios de consulta e expedição em cada país. Efeitos
da publicidade em cada país. Índices.
Tema II: Registro da propriedade:
modernização. Impacto das modernas técnicas de registro em face dos usuários.
Organização funcional das repartições para o serviço em cada país. Exposição.
Capacitação dos registradores e do pessoal do serviço de publicidade. Controle
de segurança dos assentos.
Tema III: Fólio real: esquema e rótulos ou comportamentos
utilizados pelos diferentes países. Conteúdo dos assentos de registro motivado
ou em relação com a titularidade do direito, os gravames ou restrições ao direito
inscrito e seus cancelamentos. Outras notas que prevejam as leis de cada país.
Tema IV: Outros registros: princípio de especialidade registral: mercantil.
Automotor. Naves. Aeronaves. Registro de águas. Registro do domínio ou direitos
sobre o bem. Importância da quantidade de bens, a respeito dos quais levam-se
estes registros. espécies de documentos inscritíveis. Situação desses registros
em cada país.
Tema V: Lei-modelo de garantias mobiliárias: continuação
dos estudos para sua aplicação pelos diferentes países segundo os meios registrais
disponíveis, como, por exemplo, o anteprojeto do Peru e o sistema de penhor com
registro argentino.
Proposições 1. De conformidade com a
proposta do registrador licenciado Ignacio Becerra Sepúlveda, do México, incluiu-se
como cláusula de desenvolvimento de futuras deliberações que se delimite o término
das intervenções, de tal modo que os expositores realizem uma síntese das exposições;
2. Acolhendo a iniciativa da delegação de Honduras, propôs-se designar uma comissão
para redigir um glossário jurídico registral-cadastral dos vocábulos usados na
América Latina, integrada pelo México, Colômbia, República Dominicana, Peru, El
Salvador, Costa Rica e Honduras, para ser levado para o próximo encontro; 3. Formulou-se
de viva voz um voto de reconhecimento aos fundadores e participantes do comitê,
responsáveis por conseguirem manter até hoje e de tal forma vivo o espírito e
a continuidade dos trabalhos; 4. Encomendou-se à secretaria que requeira dos países
as designações previstas na
Ata
de Morélia, para que a criação e funcionamento da Escola latino-americana
de Direito registral seja levada a cabo e se some à contribuição oferecida pela
cidade de Buenos Aires, na República Argentina, que pôs à disposição o trabalho
vinculado com a técnica.
Sede do encontro de 2005: El Calafate, Argentina
Eleição da sede: posto em tratamento o tema, solicitou a palavra o
registrador Francisco Gilberto Silva López, representante do Colégio de Registradores
da Colômbia, que manifestou em nome da Colômbia a intenção de sediar o próximo
encontro. O doutor Alberto Ruiz de Erenchun, por sua vez, representante da delegação
argentina, assinalou a conveniência de sediar o próximo encontro na cidade de
El Calafate, do estado de Santa Cruz, na República Argentina. Após um intercâmbio
de idéias e a pedido do plenário, o registrador colombiano admitiu desistir da
aspiração assinalada em favor da República Argentina, gesto sublinhado pela qualidade
e irmandade que demonstra e que, além disso, contribui para o vínculo de colaboração
e solidariedade, bases de funcionamento dos encontros. Desse modo, foi eleita
para organizar o XIX encontro, a República Argentina e, como sede alternativa,
a República da Colômbia.
Ato de encerramento Em conseqüência
do atuado, às treze horas e trinta minutos do dia vinte e seis de março de dois
mil e quatro, realizou-se o ato de encerramento com a presença da vice-presidenta
da Suprema Corte de Justiça, doutora Carmen Zenaida Castro. Fizeram uso da palavra
o doutor Wilson Gómez Ramírez, pela comissão organizadora; o doutor Pedro Alvear
Bardellini, pelos registradores assistentes; e, finalmente, a doutora Carmen Zenaida
Castro, para dar por concluídas as deliberações do encontro. Com essa finalidade,
não sem antes ouvirem-se palavras de reconhecimento pelo trabalho levado a cabo
e almejarem-se os estreitamentos dos abraços de despedida, procedeu-se à leitura
da presente Ata de Santo Domingo, que será subscreita ao pé da página, de conformidade
com o atuado.
Domicílio postal: Telefax: (1092) AVDA BELGRANO 1130 – CIDADE
DE BUENOS AIRES (54-11) 4381-4771 E LINHAS ROTATIVAS - E-mail:
colacore@dnrpi.jus.gov.ar